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Resenha #9: Como dizer adeus em robô - Natalie Standiford


Olá, pessoas, meu nome é Bianca, nova resenhista do Books Access e, ao contrário da protagonista do livro de hoje, não sou um robô. Não na maior parte do tempo, pelo menos. Indo direto ao assunto:

De Natalie Standiford, com vocês: Como dizer adeus em robô.
Não é romance, exatamente, mas é amor.
Beatrice era um robô numa cidade nova, de novo. Até conhecer os irmãos Jonah e Matthew e a história do garoto fantasma (apelidado de Jonah) que, todas as noites, ouvia um programa de rádio cafona e sonhava viver com seu irmão gêmeo em Ocean City.

Fui apresentada à “Como dizer adeus em robô” num dos meus vários passeios aleatórios por livrarias. Passeios esses que me renderam grandes surpresas como “Belle” e “No escuro”, mas, também já me proporcionaram grandes decepções, tais como “Um dia” e “Postais do coração”.

Com Natalie Standiford, eu não tive uma SURPRESA, com letras maiúsculas. Em compensação, não foi uma decepção. Também não é um livro meio termo, muito menos que será esquecido na estante. Na verdade, ainda não sei como definir bem o sofrimento presente nos capítulos finais do livro e todos os erros que todos os personagens cometem ao longo da narrativa.

À primeira vista, é um romance adolescente clichê ao extremo. Daquele tipo de clichê que já cansou todo mundo que leu mais de três livros na vida. A sinopse vende, conquista, a sinopse te chama, me chamou. Ela é bem construída e tem uma linguagem gostosa, direta, assim como o livro.

A narrativa não é envolvente ao extremo, não é um suspense. E nem é um romance, mas, como diz a contracapa, é amor. Um amor tão grande que faz Bea sofrer e faz Matthew, irmão gêmeo de Jonah, rir (¿). E destrói Jonah. E eu não sei se consigo falar mais sobre o tema central sem dar spoiler, então, pararemos por aqui.

Nas periferias dos problemas de Jonah e Beatrice, várias outras coisas acontecem ao mesmo tempo. Problemas familiares, uma formatura e a faculdade chegando cada vez mais perto. Os sentimentos de uma garota deslocada no meio de pessoas que se conhecem há mais de dez anos, pelo menos. Mas essas questões não foram muito aprofundadas no livro. E, talvez, nem devessem. É como se Matthew e Jonah ocupassem 70% da mente de Bea e todo o resto ficasse em segundo plano, num mundo distante. Mundo esse que ela só encara se estiver longe de Jonah.

Sobre os personagens, eu diria que a diferença de maturidade entre meninos e meninas de uma mesma idade transparece muito nas atitudes dos dois protagonistas. O que não quer dizer que Bea não tenha seus momentos inseguros e bobos, mas os chiliques de Jonah Tate superam os dela. Não gostei de Jonah por ele ser tão possessivo e fraco (sim, ele é fraco e o fim do livro deixa isso muito claro) e não gostei de Beatrice por ela deixar ele ser... Ele mesmo, daquele jeito que irrita.

Mas eu gostei de Beatrice por ela tentar, à todo custo, ajudar o amigo. E gostei de Jonah pela total devoção que ele tem pelo irmão.

Como conclusão geral, é um livro bom. Emocionante, para quem se emociona facilmente. E, mesmo sem lágrimas, é impossível não se sentir tocado. Não é romance, é drama. É um lado da realidade que as pessoas não gostariam que existisse. Mas também, como tudo na vida, é uma fase que vai passar. Eu imagino Jonah andando como um fantasma pelas ruas e sendo apenas um rosto escuro na foto de formatura. Imagino Jonah se afundando em sua própria tristeza ou superando tudo isso e seguindo em frente. E imagino Beatrice se esquecendo do amor que sentia e deixando Gatso (gato de pelúcia que ela ganha de presente) jogado, sozinho, numa caixa.

Cada um deles procurando o segredo dos cabeleireiros da Islândia, que, segundo um artigo que Bea leu, são as pessoas mais felizes do mundo.


Titulo: Como Dizer Adeus Em Robô;
Titulo Original: How To Say Goodbye In Robot;
Autor: Natalie Standiford;
Tradução: Fabiana Colasanti;
Editora: Galera Record;
Gêneros: Romance, Ficção Fantástica, Literatura Infanto Juvenil;
Número de páginas: 344;
ISBN: 9788501091024;
Ano: 2013.
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