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Crítica #4 | Série: 3% - uma pequena leitura política


Já era tempo existir uma série tão ótima produzida no Brasil. De produção original Netflix, a uma série que realiza uma leitura conjuntural muito precisa do cenário atual com o mistério e a possibilidade revolucionária de qualquer distopia. 

A esquerda não poderá reclamar, Joana é sem dúvidas o maior ícone revolucionário produzido para o processo. Seu temperamento forte e sofrido, sua condição social e política consegue possibilitar um sentimento de "Tordo" altamente adaptável.

A direita não poderá reclamar, Marco, ou melhor, o legítimo Álvares representa a essência de uma sociedade cujo status quo é extremamente organizado, "coisas no seu devido lugar".

A terceira via não pode reclamar, Rafael e seu sentimento coletivista com centralidade no Estado (A Causa), pretende utilizar de todos os meios necessários para chegar ao seu fim. 

Os liberais também podem ficar contentes, Ezequiel é sem dúvidas seu representante, tanto pela forma quanto conteúdo, que mais ou menos no capítulo 6 apresenta seu cunho ideológico. Em realidade, o ultimo capítulo ele determina " Já fui dos dois lados, hoje descobri o que seguir, o que está certo".

Brilhantemente os criadores e roteiristas souberam criar e desenvolver um ambiente perfeito, cujas estruturas desvelam todo o debate político atual. Estamos hoje neste processo, a nossa vida é este processo, não obstante, como Ezequiel diz, a hereditariedade pode transformá-lo desigual.

De modo bem simples, 3% consegue fazer uma releitura conjuntural além de demonstrar situações bem parelhas a sociedade em que vivemos, como um mini sistema de escassez. A formação de milícias e ordem natural das coisas.

Depois de ver os oito capítulos, tenho a  obrigação de divulgar, é impecável. Aos que assistiram, para quem vocês estavam torcendo? Comentem aqui <3

Escrito por: Abílio Santos
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