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#Resenha 24: Trono de Vidro - Sarah J. Mass.

Trono de Vidro" conta a história de Celaena Sardothien, a mais mortal assassina de Adarlan. Nesta fantasia épica, Celaena está presa nas minas de sal de Endovier, condenada por seus crimes.

"Trono de Vidro" conta a história de Celaena Sardothien, a mais mortal assassina de Adarlan. Nesta fantasia épica, Celaena (pronuncia-se Celena) está presa nas minas de sal de Endovier, condenada por seus crimes, cumprindo sua sentença, fraca e quase perdendo as esperanças. Surge-lhe, então, uma proposta, feita pelo príncipe do reino: vencer um torneio de assassinos. O ganhador servirá oficialmente ao rei. E mais: após 4 anos de serviço, estará livre e nunca mais precisará voltar para Endovier. Celaena está disposta a tudo, inclusive tornar-se a assassina oficial do rei cujo ódio alimenta, para obter sua liberdade.

Embora seja uma figura conhecida em toda Adarlan, Celaena protege sua identidade verdadeira ao lado do príncipe Dorian e do capitão da guarda, Chaol – que também é seu treinador. Seu nome, por seus feitos, tornaram-se uma lenda (o que é constantemente repetido no livro). O que é surpreendente, pois Celaena é uma menina de dezoito anos, que apesar do treinamento cruel para tornar-se uma assassina e ter passado um ano trabalhando como escrava nas minas de sal, ainda conserva certa imaturidade. E justamente por isso a protagonista é tão divertida! Celaena é uma personagem bem formada, treinada a sangue frio, inteligente e muito bela, mas, acima de tudo, é apenas uma menina. Passa boa parte do livro pensando em sua aparência, tendo desejos juvenis e contemplando um humor irônico. E claro que, com uma jovem donzela, um príncipe extremamente belo e sensível e um capitão da guarda rústico e super protetor, temos aqui a fórmula perfeita para um triangulo amoroso. Mas ao falar apenas isto, estaríamos sendo injustos com a autora. 

O rei de Adarlan é um homem tirano, que foi, indiretamente, o responsável pela morte da família de Celaena e de sua nação, Tenrrasen, à Adarlan. O rei acabou com toda a magia do continente, expulsando os seres feéricos, dos quais é da mitologia do povo de Celaena e cuja conexão com a protagonista a autora já entrega no início do livro. Sarah aprofunda-se um no passado de Celaena, mas não o suficiente para sanarmos a curiosidade – detalhes de sua infância, de seu treinamento, sua vida como assassina e como exatamente foi parar nas minas de sal em Endovier, uma das penas mais severas para os criminosos de Adarlan. Isto não é necessariamente um defeito do livro, conhecemos as maneiras de Celaena pelo avançar da história, e mais espaço é entregue para a competição, a política de Adarlan – ainda que de forma superficial – e os males sobrenaturais que assombram o castelo e que a protagonista deve deter. 

Inclusive, um dos pontos altos do livro é a última e mais importante batalha, bem descrita, onde a personagem está drogada e fica na margem entre dois mundos – aqui vemos uma maneira muito simples de introduzir Huxley, escritor de “As Portas da Percepção, Céu e Inferno” e “Admirável Mundo Novo”, para jovens leitores. Em “As Portas da Percepção, Céu e Inferno” o autor nos guia por seus pensamentos durante o uso de uma substancia psicoativa chamada “mescalina”, porém relatadas à luz da razão na sua máquina de escrever. Algo semelhante acontece com Celaena no meio da batalha com a força maligna que assombrava o castelo, onde apenas ela e seu oponente podiam ver claramente o que estava acontecendo e deu à protagonista uma forma de ver a situação como era realmente, sem o véu da realidade cobrindo seus olhos. O mesmo recurso usado no terceiro livro da série Divergente e em Jogos Vorazes para introduzir “A Revolução dos Bichos”, por Owell, em seu enredo e desfecho. Colocar clássicos no meio de histórias infanto-juvenis, mas com um pouco de “amorzinho” e mais aventura (ainda que nem sempre isso seja tão interessante e Divergente tenha sido um exemplo pobre de como fazer isso, o que não ocorreu de maneira tão gritante em Jogos Vorazes.), tem sido um recurso muito bem trabalhado pelos autores e seus editores: na literatura, boas idéias costumam continuar sendo boas por bastante tempo, e usar uma ideia genial e atemporal, que trabalha o pensamento crítico, porém de uma maneira que atraia o público jovem, é uma maneira extremamente inteligente de prender o leitor. A maior armadilha nisto, porém, é este jovem tornar-se um adulto e jamais beber de sua fonte, do original, onde a leitura é mais dura e é necessário um raciocínio sofisticado, ainda que estes livros não sejam difíceis, apenas exijam mais do leitor como pessoa. 

Um ponto positivo foi a maneira como o relacionamento entre Chaol, Celaena e Dorian foi desenvolvido. Todos eles possuem suas superficialidade e profundidades, ainda que não muito trabalhadas, mas da mesma maneira. O desenrolar deste relacionamento, harmônico e ao mesmo tempo tenso, e de todas as formas divertido, os fazem ser diferentes dos outros livros infanto-juvenis ou Young Adult, onde o foco está no relacionamento e não no que está acontecendo. O que não acontece em “Trono de Vidro”. Pela jovialidade dos personagens, e inclusive pela ingenuidade que o próprio público alvo teria, é muito interessante como expressam seus desejos um pelo outro. 

"Trono de Vidro" é uma aventura divertida que satisfaz muito bem, tanto os mais jovens quanto o público mais maduro. E àqueles que conseguem ver as semelhanças e divergências – e até mesmo a simplicidade nesta história, ainda que seja uma ficção épica fantasiosa – vai se beneficiar, e muito, caso decidam vestir sua “capinha de adolescente” e viajar com Celaena Sardothien por Adarlan.

Confira a playlist exclusiva de "Trono de Vidro", feita pela Sarah J. Mass:


Titulo: Trono de Vidro;
Titulo Original: Throne of Glass;
Autora: Sarah J. Mass;
Tradução: Bruno Galiza, Lia Raposo, Rodrigo Santos e Mariana Kohnert;
Editora: Galera Record;
Gêneros: Ficção Estrangeira;
Série - Volume: Trono de Vidro - 01;
Número de páginas: 392;
ISBN: 9788501401380;
Ano: 2013.
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