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#Resenha 38: A Promessa da Rosa - Babi A. Sette


Babi A Sette já é uma das queridinhas nacionais quando se fala em romances de época e, se você parar pra ler "A Promessa da Rosa" vai entender porque em apenas um livro, esse posto foi alcançado e colocou milhares de leitores e leitoras ansiosas pra qualquer que fosse o próximo lançamento dela (e extasiados com o anúncio de uma série subsequente a este - resenhas em breve!)

O livro começa como qualquer romance do gênero deve começar: uma mocinha inocente mas voluntariosa e um homem experiente e passional. A donzela á frente do seu tempo é Kathelyn Stanwell e aquele que lhe roubará o coração, Arthur Harold - Duque de Belmont. O encontro também se dá como esperado: nenhum dos dois tinha qualquer plano de se apaixonar (ela queria viajar o mundo e ele encontrar uma esposa pra lhe dar herdeiros) até que num baile (!!) os dois se vêem numa situação inusitada e a atração mútua é evidente e arrasadora.

Aliás, não há como negar desde o início a capacidade da autora em envolver os leitores com as emoções dos personagens. Apesar da narrativa (aparentemente) clichê, as descrições de cada detalhe dos pensamentos de ambos e uma utilização de adjetivos precisos e cadenciados, num ritmo que varia de acordo com os vai-e-vem de sentimentos de cada um ali é poesia em forma de prosa. Essa característica da escrita da Babi se estende por todo o livro e é impossível não sorrir, sofrer, chorar, SENTIR a cada página. "Emocionante" não chega nem remotamente perto de descrever esse livro.

O desenrolar de encontros e desencontros típicos também acontece como deveria, o "problema" é que eles ocorrem nas primeiras 100 páginas (ou algo assim). Quando onde geralmente chegaríamos ao ponto do "final feliz", a narrativa assume um tom completamente diferente, evoca o espírito de amor contrariado shakespeariano e nos é apresentado um vilão mais forte que qualquer desavença de personalidade do par: o ciúme.

Assim como Otelo, que mata Desdêmona e se arrepende no segundo que percebe havia feito, nossos protagonistas agem sem pensar e se arrependem, mas deixando o orgulho falar mais alto que o bom-senso, entrando num círculo vicioso e nocivo que, ao invés de superar as dificuldades, tentam se provar superiores.

É extremamente necessário pontuar que Babi A. Sette trabalha brilhantemente as questões de relacionamentos não-saudáveis nesse livro. Paixão demais, desejo demais, entrega demais. Todos aqueles "demais" encontrados em romances que nos fazem suspirar, aqui assumem seu lado sombrio e não só separa nosso casal como estendem suas consequências ao longo de muitos anos e a muitas pessoas. Não são 'mal-entendidos' ou 'fofocas' que separam os protagonistas, mas seus próprios medos, inseguranças e falta de confiança. Além de afetar profundamente destinos e vidas além dos deles próprios.

Esses sentimentos são criados ou alimentados por uma sociedade hipócrita, mesquinha, julgadora e cruel. As aparências valem mais que o sentimento;  "honra" é palavra vazia medida por títulos e dinheiro. Línguas ferinas que se divertem em falar antes de conhecer os fatos, espalhar a desgraça alheia, transformando palavras na desgraça em si. Aqui, o contexto é de século XIX - mas qualquer semelhança com os dias atuais, não seria mera coincidência. Impossível não notar as metáforas sobre os preconceitos e julgamentos sofridos pelas mulheres ainda hoje e como isso as transformam em párias, e tratadas como tal.

O tempo passa e o reencontro se dá em vieses de vingança, cada qual se achando o mais prejudicado e o "do lado certo" nas questões do passado, querendo retaliação naquele que - acreditam - lhe fez mal e quando você achava que a Montanha Russa Emocional tinha completado o passeio, ela dá outra volta, agora com sentimentos ainda mais intensos - dessa vez não tão belos e desejáveis quanto os anteriores. Paixão desmedida transformada em ódio, evoluindo pra sede de vingança que vai aos poucos destruindo ambos, Kathe e Artur.

A emoções se intensificam ao ponto da violência - física, psicológica, emocional. E o leitor se vê envolvido no que há de mais feio no Amor. Sim, feio. A narrativa cativa, emociona, constrói e desconstrói nossos pensamentos mais românticos, e joga com nossas emoções mais puras - e as mais impuras (no sentido literal da palavra) mostrando que pra amar é necessário muito mais do que amor.

O final também não é clichê, pois a confusão de tudo que acontece ao longo da história termina com a incógnita de COMO eles conseguiram superar aquilo tudo, se perdoarem e seguir em frente. Sabemos que isso acontece, mas não sabemos de que forma. Outra sacada genial da autora, trazendo a vida pro papel e deixando que cada leitor decida a trajetória do casal antes do esperado "felizes para sempre".

Existe um spin-off online do livro: "A Sombra da Rosa". Retrata o que houve com o casal depois do final do livro. Bem curtinho mas que vale a pena a leitura ^^

Titulo: A Promessa da Rosa;
Autora: Babi A. Sette;
Editora: Novo Século;
Gênero: Romance de Época;
Série - Volume: Flores da Temporada - 01;
Número de páginas: 432;
ISBN: 9788542805550;
Ano: 2015.
Escrito por: Ludmilla Fadel (@ludifadel)
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