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Crítica #9 | Filme: Liga da Justiça


"Liga da Justiça" vem num momento turbulento para o mundo e o universo cinematográfico da DC fora e dentro das telas mas durante suas curtas (?) 2h, tem uma mensagem clara: ainda há muito espaço pra filmes do gênero entre a audiência e estamos vivendo definitivamente na Nova Era dos Heróis.

Uma coisa essencial a se dizer, é que esse é um filme do Zack Snyder. Todo o roteiro, a forma de conduzir a história e os personagens tem o toque peculiar dele que nos acostumamos desde "Homem de Aço". Inclusive as piadas – que muitos podem atribuir ao Wheedon –  são orgânicas à narrativa e feitas de ‘cara dura’, sem pausas pra risos, apenas ironias e sarcasmos proferidas quase ao acaso, que não tiram a atenção do drama principal (ok, uma ou outra cena ta ali SÓ pela piada mas nada que estrague a narrativa) .O que Joss Wheedon trouxe foi uma ‘enxugada’ no filme. Ao contrário dos idos filosóficos do Snyder, a história aqui é contada de maneira mais sintética, direta. Mas no fim, o sentimento, o tom, o filme é do Zack Snyder. E que filme!

Pr’aqueles que passaram boa parte da infância assistindo Liga da Justiça Sem Limites na hora do almoço no SBT, uma única frase é necessária pra dizer tudo: o filme que está nos cinemas é uma versão estendida e em live action dos episódios do desenho. Simples e genuinamente enraizado nos sentimentos de heroísmo e aventura que fazia todos que assistiam querer colocar uma capa e salvar o mundo.

A ameaça vem na forma de alienígenas que querem dominar o mundo e é isso. Nada complicado ou intrinsecamente profundo. A Liga tem o propósito de defender esse nosso planeta azul e é isso que eles fazem. O rosto dessa ameaça é o Lobo da Estepe, um subordinado de Darkseid, conquistador e destruidor de mundos. Ele é mau, nossos heróis são bons e isso é tudo que se precisa saber. Nenhum dos filmes de super heróis dos últimos tempos trouxe um conceito tão simples e quadrinesco pros cinemas. E isso é lindo!

Não confundam simplicidade com falta de essência; esse filme carrega um sentimento passado de geração em geração de assíduos leitores de quadrinhos, apaixonados pelas sagas heroicas e principalmente, legiões de pessoas inspiradas a serem mais, assim como seus heróis no papel o são. O filme carrega em si aquela nota de esperança e otimismo, de bom exemplo e pensamento positivo que transcende política, religião ou filosofia e toca naqueles que desejam que o mundo seja melhor.


E pra salvar o mundo temos um Batman ousado e contrito, buscando redenção. Uma Mulher Maravilha convicta de seus ideais e assumindo seu manto de única mulher da equipe (por enquanto?). Um Flash garoto, engraçado e a porta de entrada do espectador para todas as maravilhas que vê à sua frente (se me perguntassem, eu diria que esse Barry Allen também via o desenho pelas manhãs junto a milhões de pré-adolescentes). Aquaman rouba a cena com seu porte e sua luta e Ciborgue, é o elo com o arco principal e peça fundamental durante toda a narrativa.

Finalmente, Superman. Ele está no filme O TEMPO TODO. Não deixam dúvidas disso. Ele é a inspiração, a alma, o norte de cada personagem, ação e pensamento dos integrantes da Liga e também dos vilões! Ele é a causa e o efeito da narrativa e carrega em si o peso das consequências, mesmo estando, inegavelmente, morto. Mas ele não ressurge? Bom, aí seria spoiler mas é garantido que os fãs do último Filho de Krypton não sentirão falta dele em nenhum momento.

Se você está em dúvida: vá ver. E vá ver nos cinemas. Vale a pena, vale muito a pena. Os efeitos falham aqui e ali (culpa de um certo bigode ou da falta de Snyder no pós-produção?) mas as batalhas estão impecáveis - e constantes! O ritmo não é quebrado em nenhum momento, com cenas de lutas em todos os três atos da trama, os personagens são cativantes, a história é divertida e aventuresca e não importa se você é fã desde os quadrinhos da década de 1960, dos desenhos transmitidos pelas manhãs ou nunca se importou com heróis ou Liga da Justiça: o filme ta aberto, chamando público e disposto a agradar. No que é extremamente bem sucedido.

ALERTA: o filme possui DUAS cenas pós-créditos, portanto, fique até o fim!

Escrito por: Ludmilla Fadel (@ludifadel)
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